Medição de cloro livre e cloro combinado

Fazendo uma comparação com o colesterol, existe o cloro bom, denominado de cloro livre e o cloro ruim, conhecido como cloro combinado (cujo sinônimo é cloramina).

O primeiro (cloro livre), além de ter um excelente poder desinfetante, não têm odor desagradável e também não é prejudicial aos olhos, mucosas e pele.


O segundo (cloro combinado), além de ter seu poder desinfetante extremamente pequeno, têm péssimo odor (muitos chamam de odor de cloro) e é prejudicial aos olhos, mucosas e pele, sem falar no ataque às instalações da piscina. Tendo em vista o acima exposto, medir o cloro livre e o combinado passa a ser muito importante.


Medição de cloro livre e cloro combinado – legislação


As leis e normas referentes a cloro livre e combinado sugerem valores baixos, o que torna a medição muito delicada.


Exemplificando, a ABNT estipula para o cloro livre o intervalo de 0,8 a 3,0 ppm Para os americanos, o máximo permitido de cloro combinado é de 0,2 ppm. Não existem, no momento, leis ou normas brasileiras para cloro combinado.


Cloro total = cloro livre + cloro combinado.


Também lembramos que mesmo os desinfetantes alternativos necessitam de uma pequena quantidade de cloro na água da piscina, o que torna necessária sua medição nestes valores baixos.


As medições de cloro livre são feitas diretamente e de diversas maneiras, já as de cloro combinado direta ou indiretamente, pela diferença entre cloro total e cloro combinado.

As medições das concentrações de cloro livre e combinado são feitas por comparação colorimétrica, por titulação ou ainda de uma maneira mais precisa por fotocolorímetros.


As medições colorimétricas podem ser feitas por reagentes líquidos ou sólidos (pastilhas), por fitas de testes ou por aparelhos denominados de fotocolorímetros .


Os dois primeiros dependem da precisão de cores do operador de teste e da luz de fundo contra a qual é colocada a solução que está sendo observada.


Já as medições pelo fotocolorímetro independem do responsável pelos testes e da luz de fundo, sendo portanto, mais precisa e confiável.

São aparelhos relativamente caros e usados principalmente nas piscinas de grande porte.


É conveniente lembrar que mesmo as pessoas consideradas não daltônicas enxergam as cores ligeiramente diferentes. Os daltônicos, em grande maioria, não distinguem o verde do vermelho. Segundo dados cerca de 8% da população masculina é daltônica.

No Brasil, país com mais de 2,5 milhões de piscinas, segundo colocado em número de piscinas no mundo, as medições de cloro são feitas por reagentes líquidos e recentemente por fitas de teste.


Fitas de teste normalmente medem de uma única vez: pH, cloro livre, alcalinidade total e teor de ácido cianúrico.


Infelizmente, não medem cloro total (pelo menos no Brasil) ou diretamente cloro combinado, portanto deixam a desejar nesse aspecto.


Além do mais, sua medição de cloro livre têm pouca precisão e baixa resolução (temos que estimar a cor entre duas outras cores).

Medição de cloro livre e cloro combinado - Métodos OTO e DPD


Uma maneira tradicional de medir cloro no Brasil é pelo sistema colorimétrico de reagentes líquidos pelo reagente OTO (ortotolidina). Este método, é barato mas, infelizmente, proibido em muitos países por ser potencialmente cancerígeno, além de ser muito prejudicial a pele e aos olhos.


Além do mais mede apenas o cloro total - que é a soma de cloro livre e cloro combinado.


Vamos supor que se mediu cloro total em 2 ppm. Isto pode ser 1,9 ppm de cloro livre e 0,1 ppm de cloro combinado, o que é excelente. Mas também pode ser 0,1 ppm de cloro livre e 1,9 ppm de cloro combinado, o que é péssimo. As empresas brasileiras que comercializam cloro no Brasil não estão se dando conta sobre o quão importante é medir corretamente o cloro livre e o cloro combinado, além de usarem produtos nocivos aos seres humanos.

Para medir o cloro livre e o cloro total, os países desenvolvidos há muito já adotaram o reagente DPD ( Diethyl-p-Phenilene Diamine).


Mais caro, porém de maior precisão e mede cloro livre e cloro combinado (diferentemente do reagente ortotolidina que mede apenas o cloro total).


Com o reagente DPD, pode-se medir colorimétricamente o cloro livre e o cloro total e por diferença o cloro combinado.


Outra maneira de se medir cloro livre e cloro combinado é pelo método DPD-FAZ.(Diethyl-p-Phenilene Diamine—Ferrous Ammonium Sulfate).

É uma medição por titulação, que é feita quando a cor rosa passa para incolor, o que dá maior precisão nos testes e, inclusive, é ideal para pessoas com deficiência em determinar cores.


Neste método mede-se diretamente o cloro livre e o combinado. Uma gota do reagente pode indicar 0,1 / 0,2 e 0,5 ppm de qualquer um dos dois.

Medição de cloro livre e cloro combinado – avaliação de especialistas


Vale destacar o trabalho apresentado pelos engenheiros químicos Ricardo Noll, Ivan Lautert Oliveira e Joelson Pescador da CORSAN (Companhia Riograndense de Saneamento) no XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e Ambiental intitulado XI-019- “Avaliação de dois métodos concorrentes usado na determinação de cloro na água tratada”.

Nos testes, são comparados os resultados de medições de cloro residual pelo métodos DPD e OTO, medidos contra soluções padrões preparadas em laboratório.


Como conclusão, eles observaram que as medições pelo método DPD estão muito próximo do padrão. Porém nos testes pelo método OTO suas medições apresentavam resultados de 25% a 45% menores do que os padrões.


Finalizando, o maior custo do reagente DPD em relação ao reagente OTO é desprezível se considerarmos o uso muito pequeno do reagente DPD em relação ao consumo de cloro e demais produtos químicos necessários ao tratamento de uma piscina. As vantagens são ainda maiores por conseguirmos medir cloro livre e combinado com precisão e sem efeito nocivo a saúde. Este artigo é um forte recado para os fabricantes e distribuidores de cloro para passarem urgentemente a comercializar kits de testes de cloro pelo método DPD para medir cloro livre colorimétricamente.


Melhor ainda, se comercializarem os kits de testes para medir cloro livre e combinado pelo método Dpd-FAZ.

Nilson Maierá

Engenheiro químico, consultor especialista, há mais de três décadas, em projetos, qualidade, manutenção e segurança de piscinas.

Autor do livro “Piscinas Litro a Litro”.

Palestrante sobre diversos assuntos relacionados a piscinas de grande porte, utilizadas por público variado.

Contato

Para palestras ou consultorias com Nilson Maierá envie e-mail para nmaiera@terra.com.br ou contate pelos telefones (011) 98965-6197 / (011) 5081-2768

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