VERDE NAS PISCINAS OLÍMPICAS


Após o aparecimento de água verde nas piscinas de saltos ornamentais e de pólo aquático, fui consultado por alguns jornalistas. Mesmo não sabendo de maiores detalhes vou me aventurar em comentários sobre o acontecido. Antes de entrar no assunto que interessa, vou comentar alguns fatos acontecidos comigo em piscinas de pólo aquático. À cerca de dois anos atrás fui consultado por dois dos maiores clubes de São Paulo afirmando que seus atletas de polo aquático reclamavam de vista irritada, em alguns deles muito irritadas. Imediatamente procurei constatar a causas que poderiam ser pH ou cloraminas (cloro combinado) fora das especificações e eventualmente cloro livre. Os resultados em ambos os clubes mostravam que estes parâmetros físico-químicos estavam corretos. Na época o problema desapareceu apesar de nenhuma providencia ser tomada. Recentemente um destes clubes teve novamente reclamações. O problema com o tempo desapareceu sem sabermos os motivos. Com estes casos quero alertar que o tratamento de uma piscina é muito complexo, porque há milhares de produtos químicos que são formados pela reação do cloro com outros produtos introduzidos na piscina que dificultam seu tratamento. Estes produtos são denominados de produtos secundários de desinfecção, que na nomenclatura internacional são chamados de “Desinfection By-Products” (DBP). O cloro, muito reativo, substitui o hidrogênio ligado a carbono ou nitrogênio. Existem mais de 3.000 cosméticos e uma mulher usa em média sete cosméticos. Vale lembrar que cada um desses cosméticos são compostos de mais de um produto químico. Destes milhares de produtos produzidos na piscina a grande maioria é desconhecido. Feito esta introdução, o caso das piscinas com água verde e de facílimo diagnostico e de fácil determinação de sua causa. Nas piscinas olímpicas o diagnóstico, é de algas verdes, e a causa principal é falta de cloro, pelo menos por algum tempo. A afirmação que a alcalinidade estava fora dos parâmetros não é verdadeira assim como pH também não é o responsável pelo acontecido. Um tratamento físico adequado, incluindo ai a filtração poderia minimizar o problema, mas não o responsável por sua eliminação. Troca de areia, somente em raros casos pode resolver se ela estiver fora dos padrões. O problema de alga em particular as verdes são muito comum em piscinas residenciais, devido ao abandono do tratamento por certo tempo. Pela internet pode se obter maneiras de erradicar essas algas através de parte escrita ou mesmo vídeos. Em piscinas comerciais raros são problemas com qualquer tipo de alga e em particular as verdes. A razão está no fato delas serem sempre acompanhadas por um operador atento e qualificado. A maioria das algas verdes se reproduz pela divisão da célula da alga. Isto quer dizer que uma torna-se duas, duas quatro, quatro oito, oito dezesseis e assim por diante. Se cada célula se reproduz em décimos de minutos, em pouco tempo teremos milhões de algas. Portanto num intervalo de quatro horas pode-se deixar a piscina totalmente turva. Algas verdes são predominantemente flutuantes, mas em pequena escala são também aderentes. Não são prejudiciais a saúde, o que é muito importante. Vamos citar algumas das desvantagens: Tornam a água turva, o que é um perigo em piscinas residenciais, porque não se enxerga o fundo da piscina, principalmente o ralo de fundo. No caso do uso de atletas de alto nível este não é um problema. A água não fica convidativa, que é um problema só estético. Serve de apoio físico para microrganismos, este é um problema de saúde Aumenta o consumo de desinfetante. As superfícies das paredes, do piso e do deck podem ficar escorregadias o que no caso não é problema Mas se alga não é problema, a falta de cloro é. Mas isto foi problema se piscina foi usada neste período. Tão logo foi constatado o problema (algas verdes) o uso de cloro deveria ser imediatamente acionado. Vamos inicialmente comentar o caso do tanque de saltos ornamentais. Água turva podemos afirmar que não altera a performance dos atletas. Inclusive recentemente conversando com o ex-atleta de saltos ornamentais Fernando Telles Ribeiro, que competiu nas olimpíadas de Melbourne (1956) e Roma (1 960) ele contou que a água totalmente límpida e parada dificulta o salto porque ela funciona como um espelho e quando um jato de ar movimenta a água facilita o salto. Quanto a possibilidade de interferência na saúde não existe porque a permanência na água é mínima. No caso da piscina de pólo, a situação é mais complicada, porque os jogadores ficam um tempo muito grande dentro da piscina e a alga felizmente não interfere na visão dos atletas, mas microrganismos podem ter algum efeito nos nadadores no caso da falta de cloro. Devemos salientar que o grande problema nos atletas de polo aquático é irritação na vista mesmo em águas sem algas e bem desinfetadas. O uso de óculos de natação quando em jogos, são proibidos nos atletas o que causa problemas nas vistas de atletas mais sensíveis. No caso de piscinas para nado sincronizado, a turbidez prejudica sensivelmente a performance das atletas, chegando mesmo a inviabilizar a realização da competição. A erradicação das algas, mesmos as verdes de maior facilidade, e geralmente requer tempo e pior a piscina deve ser interditada. No caso de piscinas residenciais, interdita-se a piscina e faz-se o devido tratamento. É como trocar o pneu de um carro com ele parado. No caso das piscinas olímpicas não existia a possibilidade de interditá-las. E o tratamento deveria ser feito com a piscina em atividade e isto foi tentado. Neste caso é trocar o pneu do carro com ele em movimento. Sem entrar em muitos detalhes, o que resolve é uma super cloração, com mais de 20 ppm de cloro, e em conjunto com algicida isento de cobre o que torna o uso da piscina inviável. A esfregação das paredes ajuda na erradicação das algas assim como retro lavagens constantes do filtro. A troca de água na metade do volume da piscina, vai melhorar o aspecto da água e no caso de troca total resolve o problema, apesar do alto custo.. O uso de decantadores ou clarificantes pode ajudar inicialmente a aparência da água, mas não mata as algas vivas. Seu uso é fundamental para remover as algas mortas, mas também no caso das piscinas olímpicas não é viável. Resumindo, o problema atual é apenas estético e como conseqüência negativo para a organização da olimpíada. Não tem problema de saúde, uma vez que a alga não é problema e a falta de cloro foi praticamente momentânea. Outro fator que dá muita tranqüilidade é o fato dos usuários das piscinas serem atletas de alto nível e com saúde ótima e além do mais muitos vacinados com vacinas específicas para certos tipos de doenças. Provavelmente, essas piscinas, possuem um sistema automático de introdução de cloro. O que pode ter acontecido, o sensor de cloro estava danificado, da bomba dosadora com problema ou faltou cloro no tanque onde a bomba dosadora introduz o cloro nas mesmas. A falta de cloro, foi pouca atenção por parte dos tratadores das piscinas que esqueceram de medir o teor de cloro na piscina. A legislação de São Paulo (não sei como é no Rio), obriga a medição de cloro a cada duas horas. No caso das piscinas olímpicas ele deveria ser medido a cada hora. Este teste é de baixo custo e o próprio operador pode fazê-lo.

Nota: No blog deste site e no livro “Piscinas Litro a Litro” de minha autoria, têm um artigo bem extenso sobre algas.

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